Andarilho que sempre fui

 


O colégio me transpassou,

com seus punhais avaliativos,

a imaginação pueril.

Uma gangrena de cura difícil 

quase me fez ter que amputar 

meu órgão de sonhar acordado.

Os corredores escolares

me levavam a um beco

de versos ressequidos,

cujas estrofes eram 

cacos de vidro na grade curricular.

Levei três décadas para cicatrizar

a audição ferida pelo

agulhar sombrio da sineta 

que iniciava as aulas.







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