(fotografia: Ruben Prass) Ainda existe a casa em que nasci. Apequena-se grandiosamente em mim, lugar de imaginações. Está coberta pelas mesmas telhas que me protegeram do sol e da chuva, casamento de viúva, objetos de dizer não ao calor, à umidade, à curiosidade dos astronautas. As venezianas também são as mesmas que me camuflaram o olhar das coisas da rua e dos amores que não me sabiam. As esquadrias das janelas continuam escorando seus cotovelos de mirante do cotidiano. Ainda sinto a respiração das paredes, nem robustas, nem frágeis, apenas possíveis, corpo da fortaleza de sermos uns dos outros. As portas não cansaram de serem as mesmas, entreabertas, sem nunca fraquejar ou se tornarem indiferentes. Ainda existe a casa que me alimentou de horizontes, matou a minha sede num copo de cachoeira, me vestiu de grandeza ínfima e, de tão pequena, só poderia ser casa de br...