Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2025

Namorada

Imagem
Percorro agora todas as distâncias  em busca do teu beijo guloso, mescla de outono, sol, delícia, água límpida e inverno primaveril. E se perceber o tremor das tuas pálpebras durante o enlace das nossas bocas farei um poema apenas de sussurros.

Padre Júlio

Imagem
Quem tem fome come nuvens, o azul do céu, o vermelho das veias, o pó da estrada que leva ao abismo, o teto de estrelas, a cama dura. Quem tem fome regurgita tristezas, saliva tijolo e noite incessante, tem mãos de concha vazia, nos olhos um pote de sal. Quem tem fome respira cruz, expira pregos e angústias, inspira cuidados urgentes. Quem tem fome precisa de oferta, bondade sem espadas, acolhida andarilha e justa, um copo de esperança.

Em casa

Imagem
Os móveis do ambiente, solícitos, compreensivos, repartem conosco uma atmosfera de ternura. Um novelo de gestos pueris precipita-se da mesa, desfazendo-se em cambalhotas até envolver o vaso de onde  brotam guarda-chuvas. Um vestido de cor imprecisa, de um azul ainda verde, oferece seus préstimos.  Tua perna se insinua  para o meu braço.  A saudade está nua, um colar de tornozelo tilinta suas preliminares.  Um bidê enrubesce sua falta de palavras, um cabide, cúmplice, solicita meus trajes. Sou um buquê de expectativas. 

Correntes

Imagem
Apurando o ouvido se percebe um arrastar de correntes a construir o Brasil. As pedras do calçamento  ofertando o calçado da dor aos pés dos acorrentados.

Namorada

Imagem
Fechamos as portas e o alvoroço juntos, abrindo-nos em janelas para dentro. Temos nossas provisões de beijos, pequenas chaves de delícias sutis. Meu corpo todo é um só carinho buscando devagarinho tua gruta. 

Nossas árvores

Imagem
Apurando o escutar percebe-se  um cochicho de árvores. Dizem folhas, raízes, sementes, caule. Seduzidas pelo vento, contentes em ficar. O ramo de uma buscando  o entrelaçamento no ramo da outra.  São filhas, filhos, sobrinhos, sobrinhas, falam vó e vô, enamoram-se. Carregam afiada a navalha de cortar  cordões umbilicais-filosóficos-literários. Árvores com passarinhos nas garupa, formigamentos antes da chuva, troncos de cortar machados e desdentar serrotes. 

Luar

Imagem
Mil watts poéticos  vestem de seda o instante.

Demorei pra vir olhar este mundo

Imagem
Eu estava ensimesmado na casa uterina,  sem pressa, bebericando líquido amniótico  em um furinho que fiz na bolsa, pensando nos tantos anos que teria  de contribuir para a Previdência, acompanhando as andanças  da minha mãe sem dar palpites. Entreouvia as risadas dos meus irmãos,  a lambreta do meu pai, os barulhinhos interioranos, sentindo o cheiro do sol de inverno. Lamentava ainda ser  ignorante das fases da lua  e ter os bolsos vazios de bolitas. Preguiçava minhas horas, enquanto minha mãe me acariciava  e cocegava os meus pés, rindo-nos. Tens que almoçar aqui fora hoje,  me disse a dona da pensão. Fingi não ouvir, brincando de enrolar  o cordão umbilical no pescoço. Tua matrícula no colégio já está agendada  para daqui a seis anos, tens que treinar  para amarrar os cadarços, já são 30 de junho. Ah, não vou! Não vou mesmo!  Tenho mais o que fazer aqui. Desapurei o ouvido pra tanta injustiça  e me encolhi inteiro e...

Namorada

Imagem
É bom demais, meu amor,  quando te acendo na penumbra e arredondo minhas mãos  nas tuas curvas de abismo.

Fogo brando

Imagem
Os versos são sempre os mesmos,  rotos, cansados, sem direitos trabalhistas. Resta um bocado de farinha da vergonha na cara, no gesto, no peito. Resta bastante fermento infantil,  monopol em cada lembrança.  Graveto tem de sobra, lenha boa, da torneira dos olhos se pode obter água. O poema tem ímpetos de fazer-se padeiro, versos distributivos, estrofes coletivas, dádiva em trigo e fogo brando.

Cachoeira

Imagem
        (fotografia: Mirian Ritzel) Cachoeira meu norte no sul, terra de água e semente, lençol de tempo azul. Nos engenhos da memória  muito arroz de festa, prato servido de história.  Na bica da Ernesto Barros  um gole de lâmpada  que ilumina pra trás.  Cachoeira, meu delírio, de lambretas ao vento, da lembrança o colírio.  O começo no campinho, olaria da vida, barco sem mar, portão aberto do meu caminho. Minha primeira estação,  trem de saudades, sol de bolso, paixão.  Cachoeira esquina do mundo, rio estacionado nos olhos, meu gostar profundo. Na bica da Ernesto Barros  um gole de lâmpada  que ilumina pra frente.

Quero de volta

Imagem
Não posso com esse viver sem a distribuição   generosa das palavras. Quero o olhar limpo, ainda que cansado. Não posso com essa importância do tom da pele. Quero a casa do abraço, miscigenação primeira. Não posso com a profissão  querendo ser predicado nominal. Quero gente desatrelada  do seu fazer remunerado. Não posso com o adiamento  do sol na aquarela cotidiana.  Quero de volta a roda  da minha primeira pracinha.

Namorada

Imagem
        (fotografia: Gislei Frasson Andreata) É o teu sim que amadurece e traz ímpeto ao meu desejo. É a casa dos teus olhos que  aconchega a minha jornada e garante prumo ao namoro. O aroma das tuas mãos  acende o lume do caminho, pétala de sol e recomeço.  Busco, de alma inteira, o colo do teu silêncio, onde adormeço o cansaço. 

Concha das tuas mãos

Imagem
Bebi água fresca na concha das tuas mãos, engravidei meus olhos com as tuas janelas  e vi tua seara de sol em cada esquina. 

Botões

Imagem
Nas gavetas do que lembro  estão botões que brincam de se esconder das casas.

Algum sopro

Imagem
(para Célia Maria Maciel) Sirvo de vento a rosa  das minhas direções, navio sem porto no horizonte.  Ao tossir poemas me  desfaço dos cansaços,  criança em carrosel. No sótão da minha solidão estão  as chaves de todas as estações. 

Namorada

Imagem
Minhas mãos serão pequenas  para comportar a libido dos teus seios. Minha boca buscará mostrar toda  volúpia de enternecer teus mamilos.  O teu cavalgar a minha oferta  será o coroamento suave de uma intimidade quente, pura,  plena de promessas jamais feitas. Intimidade inteira no muito que podemos nos dar.

Recado redondo

Quem dera eu pudesse dominar a lua no peito (palpitação constante) e, num chute de pluma, acertar tua janela aberta.

Namorada

Imagem
Teus olhos iniciam o terremoto na ilha  que construímos a quatro mãos,  derrubando a roupa do varal das certezas.

Estórias de um tronco

Imagem
Um tronco conta estórias  sobre passarinhos  para as formigas.  Todas voam na imaginação.  As formigas crianças,  mesmo atemorizadas,  querem ouvir estórias  sobre o bicho-papão. O tronco limpa a garganta  e troncamente se põe a narrar: "Era uma vez um tamanduá gigante..."

Um copo de horizonte

Imagem
O poema acordou sem preguiça, tomou um copo de horizonte  e foi recolher as palavras  que a noite desfolheou.

Complexo vitamínico

Acordei com carência de vitamina literária.  De pronto tomei uma dose de Saramago: "A vida é uma teia que se esgarça com o tempo." Sigo me automedicando com meu escritor preferido, aportando no espaço ibérico dele, flutuando em diferentes mares.  Ensaio a lucidez que ele propôs, distanciando-me com muito gosto  da cegueira que ele anunciou.

Namorada

Imagem
              (fotografia: Gislei Frasson Andreata) Eu te envio pela janela da noite um até breve em chamas. Cada parte de mim quer repousar em alguma parte tua. Qualquer distância é imensa quando o suspiro dos teus olhos não manda mensagens ao ímpeto das minhas mãos.  Não há dia em que eu não queira me aconchegar no teu abraço. Não sei nada de imortalidade, morro de amor todos os dias.

Minha mãe

Imagem
São 90 anos folheando a vida, tendo a curiosidade como vela  movendo a proa do pensamento.  Tem DNA de leitora e conselheira, uma lanterna de vontade generosa para uso público e incansável. 

Cada instante

Imagem
Bebo a paisagem com a mesma sede  que eu tinha em outros tempos: sorver em goles largos  cada instante das nuvens, numa imigração dos meus sentidos  que partem diariamente,  mas retornam ao cerne da casa da memória.

Para o Henrique

Imagem
Ah, filhote, lembro perfeitamente  da alegria imensa no dia em que me tornei pai: 04 de agosto de 2000. A vida passou a ser um Jipe sem capota, uma nova aventura diariamente. 

Namorada

Imagem
A porta dos teus olhos docemente fechada, a nudez dos nossos sentidos, a reinvenção da intimidade.  Nasce o sol nas minhas mãos, vejo a lua soltando claridade por todo o teu corpo. O silêncio desabotoa  cada pedacinho do pudor, teu suspiro me beija por inteiro.

Entreaberta

Imagem
Tímidas, as meninas dos teus olhos  fecham as venezianas, escondendo-se de puro prazer. Um caminho todo de arrepio  percorre cada curva  e reentrância da tua geografia. Minha boca te dá um colar de beijos. Percebo o enlace firme com que me puxas o tronco. "Te quero" diz tua voz  percorrendo o labirinto  do meu ouvido, abrindo portas  nos escaninhos da minha libido. Te verifico suavemente, estado civil: entreaberta.

Ieda Prass

Imagem
Quando vejo a Ieda Prass lá na Cachoeira que faz um pequeno lago nos meus olhos  sinto que o Natal está presente.  Um burburinho de infância ilumina  os galhos da árvore da memória, trazendo um desembrulhar das coisas sem preço ou pressa. A vida é uma boa festa e o trenó  que carrega a esperança é tracionado  por todos que vizinharam nosso passado.

Queli

Imagem
(fotografia: Queli Cambraia Soares) Arrepio constante, sol no bidê, bacia da melhor água. No côncavo da casa a melhor sala para estar. Flor enluarada, início de janela, livro de cabeceira, sossego. Voo com os pés no chão, lume dos meus olhos.

Teu colo

Imagem
És tu quem faz a pétala do fogo, o gosto de noite clara que a lua traz. Teu colo é colcha de estrelas, teu artesanato é lúdico.  Tuas mãos trazem o pão, tua cintura faz a rotação do mundo. Em ti o caule do tempo se fortalece a cada momento.

Ancoradouro

Imagem
         (fotografia: Jane Ballem) Numa pincelada fotográfica Jane Ballem  mistura o horizonte com a nossa  vontade de partir e voltar. Uma réstia de sol goteja uma luminosidade suave na primavera do nosso olhar, florindo uma saudade inexplicável  no entardecer das lembranças.  As certezas da vida já não importam,  apenas o sossego de bastar a si mesmo  pode ser um ancoradouro seguro.

No colo do poente

Imagem
A fiação que traz a noite está pronta,  basta apenas que o sol derrame  toda a sua preguiça no colo do poente.

Balde de sol

Imagem
(fotografia: Jane Ballem) Entre os apetrechos do cotidiano  um balde repleto de sol para lavar o caminho. 

O baú que carrego

Imagem
       (fotografia: Cadinho Soares) Reabro o baú da infância  e fico com os pés paralelepipedados e os olhos enluarados  com a minha primeira esquina. 

Encantamento

Imagem
      (fotografia: Gislei Frasson Andreata) Há momentos em que o olhar da gente fica "ofuscado" pelas doces memórias. Nessas horas a imaginação viaja feito criança degustando janelas: tudo é encantamento e assombro.

Quarto disponível

Imagem
     (fotografia: Gislei Frasson Andreata) Que cada um traga sua centelha de sol ao banquete que é estar vivo. Que a chuva nos olhos de cada um seja apenas um banho delicioso.  E que a pensão do nosso abraço  tenha sempre um quarto disponível  para os viajantes sem teto e alento.

Lume

Imagem
       ( fotografia: Gislei Frasson Andreata) O sol espia cada sentimento da gente, pronto para cochichar com a lua sobre qual lume é melhor para o momento que vivemos.

Espanto

Imagem
    (fotografia: Gislei Frasson Andreata) A natureza chove numa queda brusca, inundando os olhos da gente  de espanto e calmaria úmida.

Quintal da alegria

Imagem
   (fotografia: Gislei Frasson Andreata) O sol avisa que está se recolhendo ao quintal do anoitecer suave. Uma pétala de melancolia  tenta se insinuar numa fresta deste ocaso silencioso. Os ramos da alegria com as coisas do cotidiano simples e amoroso  colhem tal pétala e a guardam na gaveta dos apetrechos sem uso.

Delicadeza

Imagem
       (fotografia: Jussara Smaniotto) A delicadeza se beija mesmo sem ter boca, trazendo luz ao instante que parou por um segundo o coração da fotógrafa.  A sensibilidade bombeia encantamento  aos olhos dos que se entregam ao apuro estético.

Mochila das metáforas

Imagem
     (fotografia: Jane Ballem) Tenho um calhamaço de sol  na mochila das metáforas  e cem gramas de luar no bolso lúdico. 

Terra à vista

Imagem
Arquipélago-me com outras crianças, numa pirataria com navios de vento: terra à vista! embora exploremos em prestações.  

Para Henrique e Guilherme

Imagem
Filhos, não canso de enovelar  o cordão umbilical que me ligou a vocês  no mais puro útero que acaso tive. 

No colo do dia

Meto a mão no bolso da memória  e retiro dele um papel com um endereço manuscrito. É papel raro, riqueza de museu: Ernesto Barros, 1725. Cachoeira do Sul-RS.  No mesmo instante ponho  minha máquina do tempo a funcionar e ouço a algazarra na casa de brincar: é tempo de fabricar  as alegrias mais tenras. Abro a porta e me vejo despindo  uma bergamota engomada.

No descanso

Nessas horas de  descanso  da máquina que faz o dia, há ebulição em mim. Deixo de gorgolejar e todo o vapor que exalo  vira nuvem que não chove. Não sou mais barco, (acaso fui este peregrino flutuante?) sou porto, porto apenas, sem complementos conhecidos, seguro, alegre, de galinhas, rico, lucena, xavier, mauá. Porto, onde todos chegam ou partem.

Sul do norte

Tu é o lugar bem aquém do norte, três marias abaixo do cruzeiro do sul. Vivo em ti, com a bússola quebrada, a leste do caminho, pertinho do oeste. Desnorteado, dizem os sabedores dos itinerários comuns. Tadinhos, há tanto norte neles.

Anos 80

Imagem
No nosso DNA dançante ainda é anos 80...

Licença

Não se entra em uma mulher pela porta. É necessário abrir as janelas dos olhos dela,  folhear sua inteligência,  deixar de lado os instrumentos  de abrir caminhos antigos. Não se entra em uma  mulher pela chaminé, em manobras natalinas.  É necessário abrir o carinho dela  com o vidro do nosso telhado, compor a quatro mãos,  desnudar-se de norte. 

Passeando em ti

Imagem
Começo pelo pátio que são teus pés, metragem de jardins. Quero ouvir se rangem as dobradiças  dos teus joelhos e cotovelos. Teu pescoço pede um colar de beijos meus, com contas do meu querer joalheiro. Termino no teu apartamento minúsculo, onde cabem apenas os meus pertences.

Encontro em Cachoeira

Encontraram-se em esquina as ruas  Ernesto Barros e Juvêncio Soares.  - De onde tu vem? perguntou a Juvêncio. - Venho da bica, respondeu a Ernesto,  trago água boa e muita.  E tu, cara Juvêncio, por aonde andava? - Estava no Morro do Cascalho,  mas não trago pedras, trago apenas barro. Juntarem-se ambas as ruas, água e barro, matérias-primas dos tijolos de nos fazermos. Faltava apenas a quentura do forno. Isso é com a gente, dissemos.

Decreto festivo

Nas comemorações dos 200 anos de Cachoeira faço publicar este decreto festivo: que o Rio Jacuí abandone seu leito costumeiro pelos próximos seis meses e se ponha a correr embaixo da Ponte de Pedra.

Meu lugar no mundo

Imagem
 Queli, em ti porto alegro-me.

Metáforas

Imagem
Colhi teus seios  na seara  das metáforas. 

Professoras

Conforme meu tempo vai aparando  as quinas do aluno sem méritos que fui,  vou ficando enternecido pela lembrança  das professoras que tive, lá em Cachoeira do Sul no colégio Roque Gonçalves, entre os anos de 1974 e 1984. Helenita, Carmem, Eni, Zilca, Jussara, Edi, Marlene, Helena,  Marta, Regina, Lucilda...mulheres que ajudaram a me compor, homem que vive conforme o vento, norteado de sul, e quer ser barco ao ver a vontade de ir embora do rio.  Ao mesmo tempo que quer ser árvore  e ficar na margem, procurando pérola em casco de jabuti.  Talvez vocês suponham que este bilhete eletrônico  seja apenas um arroubo saudosista,  um lembrar raso e passageiro. Não se enganem, esse ex-aluno  que tangenciava as notas mais baixas do espectro avaliativo tem um carinho grande por todas vocês, individualizadas em rostos  que jamais esquecerei.  Jamais mesmo! Sei que cada uma nos ofertou  o melhor de si, plantando futuro  até  n...

Esquadrias verdes

Eram verdes de amadurecer as esquadrias da casa de infância da vó (e)terna. O mundo entrava lentamente ali, seja canalizando as águas, e, num susto, fazendo escorrer o nariz das torneiras, seja trazendo o barulho da rua que se escondia sob a cama, aos cochichos com o penico de louça. As esquadrias verdes enquadravam todos os perigos externos, amadurecendo as coragens.

Cachoeira do Sul

Cachoeira é meu norte no sul, terra de água e semente, lençol de tempo azul. Nos engenhos da memória  muito arroz de festa, prato servido de história.  Cachoeira meu delírio, de lambretas ao vento, da lembrança o colírio.  O começo no campinho, olaria da vida, barco sem mar, portão aberto do meu caminho. Cachoeira meu delírio, rio estacionado nos olhos, da lembrança o colírio.  Minha primeira estação, trem de saudades, sol de bolso, paixão.  Cachoeira esquina do mundo, meu delírio, minha casa, meu gostar profundo.

Mulher

É meia-noite e tu traz o sol para acender a lua em mim. Tua destreza em iluminar a filosofia do cotidiano, tornando de algodão a nossa  pedra de Sísifo de cada dia, faz com que o resto seja apenas barulho. 

Cecília e a vó Gislei

Imagem
Não é um simples colo de avó, é um ninho tecido com as fibras do amor materno entrelaçadas com a novidade do amor pela neta. Oceano de alegrias e pureza, reduto do carinho mútuo.  É uma soma de afetos e esperança, é uma pracinha que se carrega no olhar.

Um recado

Imagem
Acordei com a tua presença  enroscada no meu pensamento.  Minhas mãos já disseram tudo ao teu corpo, mas há novidades a serem sussurradas: mobiliei apenas com luz suave o cômodo que ocupas em mim. Pus água na semente de abraço, algodoei cada aresta. A chave da porta é o teu beijo.

Mulher

Imagem
Quando o dia estava ensolarado  e o seu par de botas de borracha  dava um último espirro,  gostava de abrir  o portão das imaginações. Colocava seus pertencimentos  no peitoril das janelas e despejava uma água de cheiro  nos ombros da manhã.

História de Cachoeira do Sul

Imagem
A professora Mirian Ritzel ergueu um blog cuja inscrição no frontispício é: História de Cachoeira do Sul. Tal construção está alicerçada  no Arquivo Municipal. Já as janelas, portas e cômodos do blog são obra de um folhear sensível e trabalhoso, que requer a lâmpada que ilumina baús e frestas da história.  Mirian é iluminista, de alma perene, e escreve ladrilhando de luz o tempo,  tirando a teia do esquecimento  das fachadas e interiores  dos prédios antigos. Personagens da história   ocupam o blog-pensão,  onde a diária custa  dois dedos de prosa  e três vinténs de pátina.  É também um blog-carruagem, nos levando para passear  na Cachoeira de antanho.