Aurora

Se chamava Aurora e era tímida.

Abria as venezianas do dia 

como quem dá pão 

para um filho pequeno: 

a mão feito um coração 

que não cabe no peito. 

Salpicava de luz suave a penumbra, 

orvalhando o pátio dos primeiros 

minutos da sinfonia do silêncio. 

Desenrolava o novelo do tempo 

no colo da esperança acordada, 

nos moldes da namorada que reparte 

sonhos com a pessoa amada.

Nas tranças do desejo um carinho 

de paixão correspondida.



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