Cachoeira do Sul

Cachoeira do Sul não é 

apenas minha infância, 

minha saudade e memória. 

Ela é a casa de portas abertas

da minha família e amigos.

Organismo vivo e pluricelular,

uma espécie de encanto

engravidando as pracinhas.

Um porto para se chegar de bicicleta,

um aeroporto para as plumas

de uma antiga paineira,

um mural com todos os que partiram. 

Cachoeira não é apenas uma cidade,

é a boa lágrima no peito,

o batimento cardíaco nos olhos,

as ruas com as cinturas flexionadas.

É o quilômetro zero da nossa jornada,

um céu carregado do azul das crianças,

o passeio diário dos anônimos. 

É uma reminiscência na semana que vem,

um relógio que quer esquecer do tempo,

uma árvore que corre ao nosso encontro. 

É o lugar para se acender o sol na faísca 

de uma bolita batendo em outra,

juntar a geada com as mãos,

fazer de luva o aconchego da mãe. 

Cachoeira é uma geografia de pão,

chuva morna nas calhas,

um atestado de amor,

beijo na boca ao entardecer.



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