Diabruras

Com o passar dos anos é inevitável 

que passemos a conviver, 

quase diariamente,

com a criança que fomos.

Temos seriedades e prazos a cumprir,

mas a criança que fomos nos puxa 

pela manga do paletó e quer brincar.

Não posso agora, é a resposta padrão. 

Nos concentramos novamente 

na burocracia do dia, expediente infinito.

O rio do tempo corre

em direção a foz do sumiço. 

Nos erguemos para tomar um café,

fechar a janela da infância,

chavear a porta da pracinha,

e levamos um tombo,

amarrados que foram,

um no outro, os nossos cadarços. 



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