Lembrar

É bom esquecer do sapato

que nos aperta os calos,

da correnteza que levou 

nossos amores,

do nosso traje domingueiro

que ficou roto.

Agora, o bom mesmo

é ir lembrando devagarinho,

num jeito de construir ninho,

do último beijo,

de um olhar que nos disse

um punhado de doçuras,

da posse da chave 

do dia de ontem,

de um abraço que selou

novamente o mais

importante dos contratos.



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