MEU PAI
(Samuel de Aguiar Soares)
Árvore nonagenária enraizada no método
de fazer com carpintaria própria
a minúcia dos dias, a mim legou o gosto
de rir em pequenos bandos.
Gosto quando vejo meu pai
com os cabelos e o bigode
da cor de quem chegou da neve.
Passa a impressão de que
enfrentou intempéries
e saiu-se vencedor.
Gosto de somar ditos espirituosos
com meu pai e ver que ele sabe rir
com toda a largura da boca.
Gosto de olhar o mapa do rosto dele
e ver minha geografia desenhada ali.
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