Minha tribo
Minha tribo é tudo o que habita
as janelas abertas
que carrego nos bolsos:
um João-de-barro cerzindo
delicadamente a própria casa,
um andarilho risonho
se alimentando de horizontes.
A chuva aguando teu riso,
uma revoada ao entardecer.
Um favo de mel, o jorro da fonte,
a sensualidade do teu silêncio.
Um cachorro sem qualquer rancor,
um avô segurando com cuidado,
feito cristal, o pequeno neto.
A folha se despedindo da árvore,
teu olhar pousado em mim.
A coragem de ter medo
alicerçando o caminho,
teu aconchego diário.
Tua boca disponível,
uma laranja sendo desnudada,
tuas curvas segurando a minha mão.
A percepção aguçada e solidária,
um dia novinho saindo do forno.
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