Nós, os Alves Soares

Tu, que fez da Kombi 

uma casa andante,

é meu irmão de sangue fortalecido. 

Tu, que fez escorrer das mãos 

os grãos de arroz da tulha, 

é minha irmã de fartura dividida.

Tu, que iluminou o escuro 

do meu medo infantil,

é meu irmão de luzes acesas.

Tu, que se agasalhou 

da grandeza da pequena casa, 

é minha irmã de aconchego familiar.

Tu, que primaverou 

o inverno mais rigoroso, 

é meu irmão de sol nascente.

Tu, que folheou de outono a calçada 

por vezes escaldante, 

é minha irmã de sombra refrescante. 

Tu, que passou a roupa que 

não mais te servia para 

a gaveta dos meus pertences,

é meu irmão de casulo coletivo.

Tu, que avermelhou o horizonte poente,

é minha irmã suavemente colorida.

Tu, que ajanelou 

as paredes mais espessas, 

é meu irmão de ímpeto verdejante.

Tu, que ajudou a me 

semear na intimidade, 

é meu pai de dna ofertado.

Tu, que emprestou 

o côncavo amoroso para eu morar, 

é minha mãe de útero registrado.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Plauto Júnior

Horizonte iluminado

Namorada