O velho Amor

Santo Antônio é o padroeiro do bairro

que abrigava o velho Amor

e seus tantos bichos.

Amor era um idoso amável,

de fala mansa e muita.

Carregava em grandes

latões de azeite a "lavagem",

comida para engordar a sua criação.

Criação que por vezes desfilava

pelas ruas do bairro,

me pergunto agora, por qual motivo?

Por que as vacas, cavalos, porcos, 

galinhas, cachorros, cabras,

percorriam em procissão 

os nossos caminhos de ser e estar?

Eram animais tão dóceis quanto o dono.

Adestrados em passear, estacionavam 

seus cascos, penas, relinchos, cacarejos,

rabos, crinas, guampas, latidos, mugidos,

defronte ao armazém do Seu Henrique,

onde o Amor pedia um trago.

Na cabeça da vaca-guia 

havia uma colmeia, 

com muito mel e pouco zumbido.

Amor gostava de espalhar a sua doçura,

mesmo sabendo dos perigos das ferroadas.



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