Para o Henrique, meu filho

O escritor tem se alimentado de dicionário.

Vitaminas, proteínas,

outras tantas palavras sem rimas

e está nutrido o artesão.

Esculpe a prosa musical,

ferindo de asas a árvore e a pedra.

Delicia a barriga de cada barco

com a água migrante

que hidrata o horizonte.

E compõe anversos

na intimidade de cada verso.

Faz ponta na flecha envenenada,

mirando o alvo das hipocrisias.

E tira o musgo do enxó,

instrumento bem útil

para um texto não-industrializado.

O artesão desbasta as noites,

tirando lascas da escuridão,

sua luz maior, nas entrelinhas do compor.



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