Pronta recuperação
É uma manhã cinzenta
de junho de 1979.
Ventos frios açoitam a janela
e assustam as crianças.
Uma tosse inventada
polui o silêncio da hora:
são sete horas.
Ao olhar da mãe as pernas pesam,
o caminhar fica adoentado.
É preciso mostrar-se fraco,
com dores por todo o corpo,
para que seja permitido faltar à aula.
Às sete e meia o armazém
estará aberto, há expectativa
de guaraná, bolachas Maria
e maçã argentina, remédios
que curam tosse e qualquer dor.
Às sete horas e três quartos
a campainha do colégio
vai anunciar o início das aulas.
É preciso falar baixinho,
encurvar as costas,
pigarrear, tremer de frio.
São oito horas,
é uma manhã de sol,
não há qualquer engano,
pois se vê pela janela
do quarto o céu embebido
em azul, puro e calmo,
e a guaraná é frisante,
ou seja, produz borbulhas.
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