Sino

Foi meu tio-avô Lotário quem puxou

o sino da igreja Santo Antônio,

em Cachoeira do Sul, até o alto da torre,

tendo o ombro como roldana.

Era um trabalho para quem não 

juntava letras, mas tinha gosto

em ler sorrisos de satisfação. 

Idoso, já com a roldana emperrada,

ele sentia um descompasso 

no peito quando o sino tocava.

Pedia, numa tosse inventada,

uma consulta com algum

relojoeiro do coração para ajustar 

seus ponteiros do sentimento.



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