Amor crescente
Te amo na hora cheia,
na lua minguante,
na casa que não é nova,
por necessidade crescente.
Comecei amando teus olhos,
não foi o bastante,
amei tua boca,
depois dela tudo foi desatino.
Te amo quando surrupias
a seriedade do instante
e gargalhamos juntos.
Teus descuidos com o supérfluo
compõem minha libido,
que se completa quando
bebo teus cochichos.
Minhas calças espiam teus vestidos,
meu sapato solitário procura o teu par.
Te amo na ausência, no livro que leio,
no arrepio das palavras,
na consoante muda.
Te amo quando a melodia
do amanhecer recusa
árvore e céu,
preferindo a tua janela
ainda adormecida.
Te amo na hora minguante,
na lua crescente, na casa cheia,
por necessidade nova.

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