Em casa


Os móveis do ambiente, solícitos,
compreensivos, repartem conosco
uma atmosfera de ternura.
Um novelo de gestos pueris
precipita-se da mesa,
desfazendo-se em cambalhotas
até envolver o vaso de onde 
brotam guarda-chuvas.
Um vestido de cor imprecisa,
de um azul ainda verde,
oferece seus préstimos. 
Tua perna se insinua 
para o meu braço. 
A saudade está nua,
um colar de tornozelo
tilinta suas preliminares. 
Um bidê enrubesce sua falta de palavras,
um cabide, cúmplice, solicita meus trajes.
Sou um buquê de expectativas. 


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