Empregada de Bibiana Terra Cambará
Minha bisavó, Gaudência Ilha Vargas,
foi empregada doméstica
da dona Bibiana Terra Cambará,
viúva do capitão Rodrigo Cambará
e senhora muito conhecida nos arredores
de Santa Fé, Rio Pardo e Cachoeira da época
(não havia necessidade de explicar
que era Cachoeira do Sul,
naquele tempo e vento todos
tinham noção de direção e léguas,
fruto da observação do céu e das lavouras).
Gaudência Ilha fazia parte
daquele arquipélago de mulheres fortes.
Possuidora de dois braços
quase incansáveis, lavava roupas
com o ímpeto de quem enfrenta
uma guerra, cortava lenha, cozinhava,
colhia ovos, fazia pão,
tendo apenas o sol como relógio.
Nos intervalos para descanso cerzia,
sem o saber, a roupa que o bisneto
vestiria para vencer todas as intempéries
mais de um século depois:
roupa feita com a sobra do ânimo
usado no enfrentamento de todas
as misérias materiais e emocionais,
trabalho árduo de mulher,
cujo companheiro lavrava por essa hora,
tendo a canga no próprio pescoço,
mas essa é outra história...
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