Ieda Prass
Na esquina da minha infância,
lá em Cachoeira do Sul,
há uma casa rosa de olhos azuis.
Os degraus de mármore longevo
levam ao vestíbulo
das mais doces melodias,
enquanto a arte de bem receber
abre as janelas verdes do retrovisor.
Décadas gotejam o aprumo da discrição,
onde cada palavra é um sofá
para quem chega cansado.
Os átomos do respeito se juntam
aos átomos lúdicos da afeição,
formando uma molécula de saudade
que levarei na algibeira enquanto viver.

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