Mãe e filho

É hora de sentarem juntos.

Que bebam o tempo 

até se embriagarem 

das lembranças, 

do que fizeram,

do que não fizeram.

Fantasiem grandezas, 

brindem às pequenezas,

condôminos do agora, 

calando o silêncio devagarinho.

Muito não precisará ser dito,

apenas visitado individualmente.

Olhem juntos a amplidão da vida,

uma casa de joão de barro,

um galho antigo,

torto de procurar outras árvores.

Reparem na fidelidade de um 

cachorro de família.

É hora de sentarem juntos,

dizerem da antiguidade da lua,

espiar o amanhã, compor sustos.

Que se perdoem com um abraço,

vasto, carinhoso e silencioso. 

Que a despedida seja um

cordão umbilical recomposto.

 




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