Mário Alvim Ritter
Nas tantas vezes que caminhamos
no parque da Redenção em Porto Alegre,
aportados na alegria possível,
nossos assuntos se repetiam:
1789, 1917, uma ilha que sonha,
uma colheita com muitas mãos,
Olívio, Mujica, Hobsbawm,
Veríssimo, cinema, livros,
a Cachoeira que sempre
correu nas nossas veias,
os amigos em comum.
Caminhar compartilhando
uma visão de mundo é exercício
prazeroso e que não cansa,
bálsamo que se bebe em goles largos.
O parque da Redenção está sem sol,
os ninhos em silêncio, o arco sem triunfo,
as árvores cabisbaixas, o lago vazio.
Na retina da memória está estacionado
um Fusca azul. Pra sempre.

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