Na despensa

(para Clarissa Soares Mazuim)


Clarissa foi até a despensa da vó Zair, 

no quarto, sob o travesseiro, 

procurar o lanche vespertino. 

Encontrou a infância da vó,

dois dedos de prosa risonha

e um biscoito de anteontem. 

Riu-se gostosamente Clarissa, 

aveludando as quinas da vida 

e articulando sua voz-colmeia:

a vó gosta de roer a noite,

abiscoitando a escuridão 

até consumir com ela.



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