Na primeira tosse do sol
O pátio estava dormindo.
A grama tinha os cabelos molhados,
orvalhada que fora na madrugada.
Um cachorro baio e de olhos verdes
ressonava de pescoço erguido,
terminando a vigília da noite
com as pálpebras custosas.
Uma mão muito humana destaramelou,
palavra de se mastigar,
a porta do galinheiro.
As galinhas, que fofocavam
aos cochichos, saíram ciscando o nada,
seguidas pelas galinhas de Angola,
três viúvas vestidas de cinza.
Olhos muito humanos espreitaram
os patos e marrecos, últimos moradores
da pensão a se movimentarem.
Quac, quac, cumprimentaram os rebolantes.
Um que outro galho se espreguiçava,
estalando os membros de madeira.
Os pedichões do Pampa chegaram
pedindo, pedindo,
acordando uma veneziana marrom.
Quatro formigas colocaram
uma folha de pitangueira às costas
e se encaminharam para o formigueiro.
O cachorro baio bocejou,
olhando sem interesse para
as amígdalas do galinho garnizé,
adolescente esganiçado.
Um chinelo humano passou rente
às quatro formigas.
O cachorro orelhou-se,
descansado de pronto.
O portão rangeu aaazeiteee
e o cachorro saiu junto
para ir comprar pão.

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