Samuel de Aguiar Soares
92 ANOS (04/01/2025)
Meu pai segue colhendo o trigo da vida
com a foice da determinação.
Parece estar vivendo a infância da velhice,
onde cada desafio vencido
é uma medalha que enfeita o peito.
O bigode e o cabelo são de pura neve
e o riso é pluma que abandonou
o ninho de alguma paineira.
O motor é de três tempos:
agora, daqui um pouco e mais tarde.
Chama tufão de brisa, dificuldade de recreio,
oceano de bacia e lonjura de pertinho.
Abocanha cada minuto com fome juvenil,
discordando da idade que está completando.
Tem luz própria na cabeceira dos dias
e o futuro amarrado no foguete do sonho.

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