Um nome seria impróprio

Qual substância emana do teu olhar?

Não me refiro às lágrimas,

transbordamentos

das intempéries da vida,

nem ao castanho modo

de enfeitares o dia.

Falo de outra coisa,

a qual não sei que nome dar.

Teu olhar tem algo de primavera

e de outono também, todos verão.

É madeira leve, cortiça de peso,

nuvem de chuva atrasada,

faca de fio cego e mudo.

Filhote de árvore, rangido suave 

das dobradiças dos anos.

Peregrinação de formigas,

janela sem ferrolho,

sinal verde, começo do minuto.

Cor escolhida, tijolo deitado,

itinerário inventado, casamento de viúva.

Volúpia de água e sol,

paladar de chupar balas,

tilintar do tombo de um metal.

Brisa, aragem e outras filhas do vento,

nomes compostos, chave errada.

Bilhete gasto de tanto ser lido,

a antiguidade da troca de alianças,

riso desdentado de recém nascido.

Placa indicativa, relógio aposentado,

fruta em boca de passarinho,

gaveta sem fundos ou mundos.

Resposta esperada, concha partida,

moeda de valor miúdo, vidro,

lenço atirando-se de um andar alto.

Um cômodo apenas, âncora sem barco,

camelos e dromedários contando corcovas,

fotografias por revelar, fumaça sem pai.

Cabides trajando ternos e vestidos,

os plurais mais diversos, 

a anestesia do tempo, segredo, 

sujeito oculto, anônimo da silva.



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