Árvores também choram
(fotografia: Mirian Ritzel)
Árvores são telhados,
gotejando sombra no colo do dia.
Também são hotel de passagem
para a revoada que costura o entardecer.
Árvores são patrimônio histórico
dos cochichos da vizinhança.
Discretas, já viram muito,
florindo o horizonte com a seiva
do sedentarismo produtivo.
Árvores lacrimejam pólen
quando seus braços são amputados:
é o seu jeito de tentar fazer brotar
consciência vegetal e humana
no coração dos homens-motosserra.

Traduziste com maestria meu sentimento quando olho esta árvore seca. Ano passado ela estava prenhe de flores, cor-de-rosando o horizonte.
ResponderExcluirQue perda, Mirian.
ResponderExcluir