Formiguinhas
Desde muito pequeno,
antes da completude
dos dentes de leite,
o guri era povoado
de formiguinhas.
Bastava deixar o pé erguido
ou sentar com uma perna
dobrada embaixo da outra
para que o formigueiro
se espalhasse,
numa correria rápida,
dentro do pé dele.
Perdia a força da atividade,
ficando só com a força
do riso nestas horas.
Eram coceguentas as danadinhas.
O açúcar do sangue dele
que atraía as formiguinhas,
um concentradinho
de guloseimas pra gula delas.
Quando ficava descontente
com aquela azáfama toda dentro do pé,
perdendo até a força do riso,
ele colocava um punhado
de sal embaixo da língua
pra se livrar da doçura formigante.

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