Lambreta



Quando eu tinha seis anos 

ganhei de presente de mim mesmo 

uma Lambreta invisível. 

Ela era branca e vermelha. 

Refrigerada à refrigerante, 

tinha motor de combustão 

das frutas da estação. 

Um dia a Lambreta 

derrapou no cascalho, 

esfolando a carenagem e os joelhos. 

Perseguido por um vidro de Mertiolate, 

aboletei-me junto com a Lambreta 

na letra c da lua crescente. 

Ali ficamos, invisíveis e esfolados. 

São Mercúrio Cromo 

era o padroeiro das crianças 

e das Lambretas acidentadas, 

pedi por ele, socorrei-me. 

Desce, gritou uma voz de homem. 

Não desço, disse a Lambreta. 

Te desço, disse por último 

um chinelo de couro, 

intrometido numa história infantil.


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