Memorial




Nem tudo coube na mala da despedida.
Ficou o teu caminhar de amanhecer 
cada janela e vão da casa
para arejar os aromas do amor.
Ficou o rio encanado 
que navegava teu corpo,
redemoinho em que eu 
repetia meu mergulhar.
Ficaram os verbos que 
inventavas com as mãos
e os adjetivos que são teus olhos.
Os ecos também estão aqui
neste memorial com paredes de pele, 
telhado de vidro, piso irregular, 
onde a saudade é a zeladora.



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