Montanha
Ele foi ficando com a cara de montanha,
onde o inverno é mais longo.
Estava no alto,
sozinho de outros jeitos de olhar.
Inventara as distâncias,
um modo doloroso
de conduzir infortúnios,
apagando os próprios rastros.
A cara de montanha
tinha uma expressão
vazia de planícies,
narcisismo da própria carranca.
A garrafa de recolher nuvens
estava quebrada.
Eram de muita sede
os finais dos dias,
se quisesse, poderia beber
todo o horizonte.

Que lindo!
ResponderExcluirObrigado, prima!!
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