Olhares
Um certo olhar
na casa vazia de botão,
na leveza de um elefante.
Um certo olhar no silêncio
dos relógios sem corda,
no rebanho de água
de um grande rio.
Um certo olhar
na simplicidade
de um copo de vidro,
na força contida
em um cavalo
que apara a grama.
Um incerto olhar
na preá que nunca
se contenta em ficar
do mesmo lado da estrada.
Um certo olhar
nas nossas velhices
e mocidades,
na estrada que
traz pra casa.
Um incerto olhar
nos cimos, píncaros,
apogeus, zênites, ápices
e demais sinônimos
que as nossas pernas
e imaginações
possam alcançar.
Um certo olhar
em ti, em mim,
e nos outros
pronomes oblíquos.
Um incerto olhar
enclausurado
em si, ré, mi,
sem dó das etiquetas.

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