Um encontro passageiro



Ele entrou no ônibus 

e sentou ao lado dela.

Trocaram cumprimentos, 

cada qual ficando com 

um bom dia na voz do outro. 

A voz dele era grave, 

a voz dela uma carícia. 

Logo dataram-se: 

ela nascida em 1932, 

ele nascido em 1934. 

No tom pesaroso 

o estado civil: viúva, viúvo. 

Ele muito tímido, 

ela preocupada com 

o pouco tempo.

O ônibus fez uma curva 

de aproximar joelhos, 

ela suspirou, ele corou.

Nunca, nunca mesmo, 

dois joelhos foram 

tão jovens ao tocarem-se.

Parecia ser o início 

do uso humano dos joelhos 

como instrumentos 

de entrelaçar duas vidas.



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