Meu país
Meu país era a rua Ernesto Barros
conversando animadamente
com a rua Juvêncio Soares
lá em Cachoeira do Sul.
Era um país pequeno e arborizado,
com ruas paralelepipedadas,
um terraço com céu de verão,
muros de baixa estatura.
Uma bilha rente à janela verde,
pão coletivo no ventre do forno,
calçadas percorrendo crianças,
o sumo da infância nos galhos.
A lâmpada que adiava o final do dia,
a cerejeira que brotava mãos,
o campinho iluminado por vaga-lumes,
a polpa das brincadeiras sendo repartida.
Os degraus de chegar ao íntimo das casas,
laranjas vindas do céu já sem casca,
o relógio da igreja nos furtando 15 minutos,
o manjar frutífero, a bola com fome de gol.
O carrinho no lombo depois que
terminava a lomba, a sapata,
a lua com seu silêncio eloquente,
o nascer da amizade ao abrir a janela.
Os temperos verdes e perfumados da Marieta,
a bica servindo água no côncavo das mãos,
tantas mães e seus mertiolates,
tanta pandorga brincando de horizonte.

Lindo Tibinho...consegui passar por toda a rua...na bica vi a Vó Laura......
ResponderExcluirQue legal isso, Carla!! Valeu!!
ExcluirQue lindo! Fui até lá neste instante! ❤️
ResponderExcluirQue beleza, prima! Beijos!
ExcluirNossa infância revisitada sempre com lentes especiais e perfumes renovados!
ResponderExcluirE que infância maravilhosa, minha querida!!
Excluir