Amigo é um bicho sossegado, feito árvore ou entardecer. Amigo tem janelas no lugar dos olhos, telhado infalível e reparte pão. Reparte fogo e quilômetros também. Amigo carrega sempre as cores primárias e uma bilha repleta de água do posso, diretamente do poço. Nos bolsos, um punhado de sal e açúcar. Amigo desvia rio, espanta leão e tem sempre um cipó para nos emprestar. Não se recusa a trocar defeitos com a gente e carrega casa feito caracol. Amigo sabe esbanjar risadas e fingir que o longe é perto. Conhece nossos ruídos, sabe ativar nosso silêncio. Amigo é sócio do cotidiano e tem primeiros socorros gravado na testa.
30 anos de casamento (25/03/2025) Há três maravilhosas décadas, no meu respirar acaso rarefeito, chegou da tua boca o oxigênio de me dar vida fora de mim. Ao ouvir teu sim recolhi lenha, juntei gravetos, até panela lavei. Comeríamos nos olhando, numa mesa simples de madeira ressuscitada. Foi pela janela que roubei tua mão, andar tão térreo e acessível que não precisaste me jogar teus cabelos. Hás de lembrar de toda ausência de promessas, pois sempre pude sem grandezas. Hei de lembrar que jamais duvidaste. Em que paraíso te sonhei, meu amor? Que construções ergui, com minhas mãos atrapalhadas, no desejo de dar um teto pra ti? A água do nosso primeiro rio voltou várias vezes, sem correnteza, nos banhamos na memória do que fomos. E seguimos, os mesmos e renovados. Queli, mulher-torre, iluminadora do sol, teu facho-sorriso é o farol das minhas navegações errantes,...
Se eu puder adentrar tua porta levarei um punhado de sementes de amanhã. Se eu puder visitar o teu cômodo mais íntimo semearei o tempo vindouro diante do nosso olhar. Se eu puder permanecer no teu cotidiano colherei com ambas as mãos a imensidão da vida. Se eu não puder colher, nem semear, sequer adentrar tua porta, farei ninho pra ti em cada recanto que a minha ternura puder imaginar.
Muito lindo Tibinho...
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