Neli



Vivia de não morder, mastigando apenas.

Jovem avó, tinha as gengivas 

de recém nascida, nuazinhas,

e sem as febres do nascer dos dentes.

O que não quer dizer que só 

gostasse de sopas: comia até rapadura,

sem pressa e em até quinze dias.

Era valente pra qualquer serviço, 

máquina risonha, vontade de trator.

Sozinha por desgosto e razões 

de em mim homem não bate,

conheceu um homem 

nas suas andanças de procurar lenha. 

Era pacato e dentuço.

Sem muitos comedimentos, 

as bocas se encaixaram à perfeição, 

sobrando-se em delícias de não 

se narrar os detalhes,

que é gente sem exibicionismos. 

Repartiram as felicidades,

que tinham em abundância,

e sempre que era época ele mordia 

uma pera ferro, 

dura que nem bigorna,

para dar pra ela.

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