Neli
Vivia de não morder, mastigando apenas.
Jovem avó, tinha as gengivas
de recém nascida, nuazinhas,
e sem as febres do nascer dos dentes.
O que não quer dizer que só
gostasse de sopas: comia até rapadura,
sem pressa e em até quinze dias.
Era valente pra qualquer serviço,
máquina risonha, vontade de trator.
Sozinha por desgosto e razões
de em mim homem não bate,
conheceu um homem
nas suas andanças de procurar lenha.
Era pacato e dentuço.
Sem muitos comedimentos,
as bocas se encaixaram à perfeição,
sobrando-se em delícias de não
se narrar os detalhes,
que é gente sem exibicionismos.
Repartiram as felicidades,
que tinham em abundância,
e sempre que era época ele mordia
uma pera ferro,
dura que nem bigorna,
para dar pra ela.

Que bela dupla!
ResponderExcluirValeu, prima!!
ExcluirBela completude: uma desdentada e um dentuço!
ResponderExcluirBem assim, Mirian!!
Excluir