Ternura


Fuxicou com os ouvidos 
os silêncios do homem.
Queria detalhes, quem foi, 
até que horas ficou.
Era uma mulher de meia-idade 
há uns vinte e cinco anos.
Tinha umas belezas que 
mudavam conforme a cor da roupa,
em acordo ou desacordo 
com o cabelo preso ou solto,
alinhavadas por um olhar
sempre novo e incansável. 
De natureza bisbilhoteira, 
exclamava interrogações.
O bichinho geográfico 
da curiosidade tamborilava 
nos dedos dela, mas não queria
usar a autoridade de quem
dividia a cama há décadas. 
O homem se lavou de serenidade
e se enxugou na preguiça de falar.
Ela fez um beicinho de adolescente 
de setenta e cinco anos.
Inebriado, ele se vestiu de ternura por ela.

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